terça-feira, 6 de dezembro de 2011

425 dias com ela - Uma história de amor (quase) feliz.

Hoje eu resolvi fazer algo novo; vou contar-lhes uma história.
Nessa história, temos 2 protagonistas:

Bernardo - Um cara inseguro, meio tímido e frustrado no amor. Uma pessoa sensível, apesar de esconder este seu lado.
Clara - Uma garota igualmente insegura, tímida e, por vezes, fria.

Este é um ano diferente. Bernardo pressentiu isso quando viu à sua frente o colégio, que jazia imponente ao lado de construções menos importantes. Um novo começo, uma nova chance, um novo ano. Dois meses se passaram antes que ali voltasse. Até ali, tudo corria bem, mas, como bem sabia, isso nem sempre é um bom sinal. Reviu velhos amigos, matou as saudades das companhias que lhe foram tão importantes no ano anterior. E, nesse clima de relativa paz, Bernardo superou os 2 primeiros meses de aula. Era vaga a lembrança da última pessoa que lhe roubou o coração e o picotou em pequenos pedaços, que foram lançados ao vento pela garota que tanto admirava. Suas férias serviram para reaver seus cacos e restaurar sua tão frágil consciência. Estava decidido que, dessa vez, o Amor, tão cruel e frio, não o atacaria nesse ano. Este ano era a sua chance de brilhar e se alegrar pela primeira vez em tanto tempo. Deveras sua felicidade foi, aos poucos, definhando, junto com a sua confiança e a sua esperança, mas estava decido à mudar isso de uma vez por todas. Mas, como temia, não pôde fugir das garras desse sentimento tão vil, e, ao mesmo tempo, reconfortante. Um dia, conversando com Adriana, uma amiga sua, notou uma pessoa diferente. Quem era ela? Quem era a dona do sorriso contido, do cabelo liso e sedoso, dos olhos castanhos tão reluzentes? Adriana não deixou de notar o fascínio de Bernardo pela garota. Clara, que era conhecida de Adriana, era a resposta para todas as perguntas de Bernardo. Mesmo sabendo quem era, mesmo encantado por ela, Bernardo sabia que aquilo nunca iria dar certo. Afinal, ele já teve suas platônicas antes, por que esta seria diferente? Mas, o destino novamente brincava com Bernardo. Aos trancos e barrancos, os dois começaram a conversar. Descobriram muitas coisas em comum. Viraram bons amigos. Podiam contar um com o outro para qualquer coisa; não havia barreiras para os dois. Com dificuldade, a amizade passou do computador para a vida real. "Real". Nada era "real" para Bernardo. O tempo fez o coração de pedra de Bernardo amolecer, abrindo espaço para Clara, sua nova amiga. Decidiu esconder como pode, mas as amigas de Clara já desconfiavam. Então, um pouco antes das férias, ele decidiu compartilhar os seus sentimentos com ela. Disse tudo. Tudo mesmo. Estava confiante de que receberia a recíproca, mas o Amor pregou-lhe uma nova peça. Clara não tinha certeza de seus sentimentos. Por meio de uma cartinha, disse que sentia algo por Bernardo, mas não sabia o que era. Novamente Bernardo estava inconsolável. Talvez teria explodido se não fosse por suas amigas e amigos, que sempre estiveram ao seu lado quando mais precisava. Dali em diante, resolveu que a solução seria seguir em frente. Um mês se passou. Bernardo já mostrava fraqueza ao seguir seu plano. E foi isso que o levou a perguntar novamente sobre os sentimentos de Clara. Desta vez, ela fez o inesperado. Disse que Bernardo era correspondido. Nesse instante, Bernardo se desligou do mundo e deu uma viagem nas estrelas. Talvez seja essa a sua definição para alegria. Alegria. Bernardo pressentia que estava na hora de agir. Consolidou esse cortejo pedindo Clara em namoro e recebendo uma resposta positiva um dia mais tarde. Pareciam o casal perfeito por um bom tempo. E foram. Eram parecidos em tudo, se gostavam, se entendiam, nem sequer brigavam! Mas, quis Fortuna que isso não durasse tempo o suficiente. Bernardo sentia como nunca se sentiu antes. Era amor, não? Sim, era. Para ele sim. Confiante que Clara sentia o mesmo, disse 3 palavras à ela que mudariam tudo. "Eu te amo". Maldito seja aquele que botou as palavras em sua boca cabocla. Clara não respondeu. Intrigado, Bernardo lhe fez a pergunta : "Sente o mesmo?". Ela disse : "Não tenho certeza". Seu mundo caiu. Será que sempre seria assim? Será que ele nunca conseguiria ter um período de estabilidade. De fato, ela nunca disse "Não". Mas Bernardo sabia que "não sei" e "quase certeza" representavam uma dúvida. Parte dela não gostava suficientemente de Bernardo. Será que depois de 1 ano juntos, Clara não conseguira chegar à uma simples resposta para uma pergunta de "sim" ou "não"? Bernardo, como fez antes, esqueceu o ocorrido e tentou transcorrer sua vida normalmente. Ainda estava junto de Clara, mas as coisas nunca mais foram as mesmas. Um ano inteiro já havia passado. Quantas vezes ele já não tinha ficado sozinho, esperando, sozinho, por uma pessoa que nunca viria? Quantas vezes não foi magoado por aquela que deveria o fazer feliz? Quantas vezes não ponderou se tinha feito algo de errado? Talvez estivesse fazendo tempestade em copo d'água. Mas, para aqueles que já provaram do Amor, sabem que não ser correspondido é a pior dor e tortura psicológica que há. Ela se defendia, se desculpava, prometia que mudaria seu jeito. Mas ninguém nunca muda. Até o dia que ele explodiu. Contou todo os males que sofrera por ela. Novamente, ela se desculpou e tentou dizer aquelas 3 palavras, mas elas não tinham densidade. Falácias. Ela mesmo acrescentou logo após "quase certeza". Quase. Quase. Isso o atormenta até hoje. Será que um dia ela sentirá isso? Só pensava consigo mesmo que, quando ele fosse embora, ela se arrependeria de tudo que havia feito.




Over.

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